A energia das guerreiras

A escola de Pa-Kua apresenta a disciplina de Arquearia como uma das mais nobres, tanto a nível da prática, como da História que transporta. O uso do arco e da flecha remonta a tempos imemoriais quando o homo sapiens percebeu a grande vantagem técnica do propulsor, aliada a um projétil de maior alcance. Excelente para o êxito na caça, valioso para o sustento das comunidades.

Ao longo do tempo e da noção de riqueza material, propriedade e ambição territorial, foi aplicado à guerra. Surgiram os grupos especializados em dominar a arte de bem atirar. A geografia, condicionante da organização das civilizações, proporcionou grande diversidade quanto à utilização e forma desta arma.

Em Pa-Kua trabalha-se com o arco mongol ou recurvo. Apende-se a praticar as técnicas tradicionais da arquearia intuitiva oriental. Para quê? Por desporto? Pela competição com o outro? Porque é diferente? Poderíamos cair na tentação de responder afirmativamente a estas questões. Até sermos apelidados de Guilherme Tell ou de Robin dos Bosques em jeito de brincadeira como quem ambiciona a destreza do manejo do arco e da flecha.

A verdade é que a resposta do aluno de arquearia, da escola de Pa-Kua, surpreende. O que nos move, é a vontade de evoluir quanto ao autoconhecimento numa competição interior em que o adversário somos nós carregados de medos e de frustrações. Visamos o equilíbrio do corpo e da mente, praticando tiros estáticos e em movimento.

Disparar a flecha e ouvir o som do impacto no alvo promove um sentimento de conquista pessoal muito significativo. Não trabalhamos com mira. Encaramos o alvo com respeito. Observamos de que forma as flechas o atingiram e o que significa da sua posição pelo nosso esforço e intuição.

A flecha elegante e subtil desliza entre os dedos como uma carícia inspiradora que une a força do arco rumo ao alvo. Ela tem a dualidade yin e yang que proporciona o equilíbrio aquando do seu bom uso.

No passado dia 19 de outubro tive a oportunidade de participar, em conjunto com outras duas aprendizas, no meu segundo seminário de Arquearia onde o principal objetivo foi o melhoramento da prática numa lógica de percurso evolutivo.

É um cliché, mas é verdade que juntos somos mais fortes. Na nossa escola não existe a pressão da competição. Não há vencidos. Somos companheiras de jornada com algum cheiro, por vezes, a suor e a lágrimas que se acalma e transforma em energia empoderadora.

Às minhas companheiras Celeste Carreira e Rute Rodrigues devo a cumplicidade e o apoio, as lições de humildade e a partilha da energia das guerreiras que lutam consigo na superação dos obstáculos diários.

Ao meu Mestre João Ferreira, o agradecimento é o de uma aluna que chegou à escola tímida e expectante e que, ao longo do tempo, se sente mais autoconfiante e recetiva aos desafios. Mas, sobretudo mais consciente das suas potencialidades e limitações reais.

Ao Mestre Marcos Negri, a gratidão pela generosidade da partilha de conhecimento.

O arco, a flecha e o alvo alimentam grande parte da minha essência. Ser guerreira não é ser violenta.

 

Com a prática da arquearia

Posso mais do que alguma vez pensaria

Sou eu armada de mim, certeira

Alimentando o meu ser de guerreira.

https://www.pakua.com/school/algueirao/

https://www.pakua.com/sobre-nos/

 

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3 Responses

  1. O impacto da flecha no alvo, é fenomenal…é algo que a mim pessoalmente me desperta os sentidos e me energiza…

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